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[ 31/Março/2004 ] Fábio Di Giórgio escreve sobre seu intercâmbio na Argentina - Distrito 4810 O Intercambista Fábio Di Giórgio (indicado pelo Rotary Club de Cachoeiro de Itapemirim) participou do programa de curta-duração com o Distrito 4810, em Córdoba, na Argentina, de 14/Janeiro/2004 a 15/Março/2004. Leia o que ele escreveu sobre seu intercâmbio: A experiência do intercâmbio Quando meu pai me perguntou se eu queria fazer intercâmbio, respondi sim instintivamente, sem ainda possuir nenhuma noção do que significava esta palavra. Pensei, seria umas férias prolongadas, onde poderia fazer o que quisesse. Certo. A opção que me deram foi para a Argentina. Na verdade não me agradou muito. Tinha uma idéia totalmente equivocada, pensando que eles acreditavam ser melhores que os brasileiros e haveria muita rivalidade entre os países. Era perto demais e muito parecido com o Brasil, mas eu teria como ponto favorável à possibilidade de aprender uma língua distinta e mais fácil que outras. Era o que acreditava, mas que não foi totalmente verdade. Tudo certo, resolvido. Ficou mesmo a opção da Argentina e fui viajar. No caminho para o aeroporto não conseguia dar um nó numa gravata de tão nervoso que estava, pois não tinha nem idéia do que iria me ocorrer. Não tinha informação nenhuma sobre qual cidade e principalmente que família iria me receber. Saí do avião depois de 3 horas de uma viagem cheia de expectativas, onde no saguão do aeroporto, com receio do que me esperava, procurava minha nova família e vi umas seis pessoas juntas no fundo da sala - só podia então ser minha nova família -, me aproximei com um sorriso amarelo e logo vieram me abraçando, eu meio sem jeito, até porque não tinha o costume de fazer isso nem com os meus pais. Estava em Córdoba agora, mas a cidade onde ia ficar estava distante 40 km de lá. Chama-se Colônia Caroya, uma cidade de imigrantes italianos, todos italianos. Pequena demais para alguém que estava acostumado a viver no Rio de Janeiro, era praticamente uma avenida, a cidade, mas era a avenida mais linda que tinha visto em toda minha vida, 8 km de árvores nas margens desta avenida o que criava um ambiente único. Meus pais de lá eram agricultores, tinham estufas para plantar tomate. Era uma família muito distinta da minha, mas que família fantástica! Apesar dos problemas que este homem passou, nunca deixou de sorrir. Tinham, uma semana antes, acabado de roubar seu carro. Agora possuía duas irmãs, e uma grande família cheia de primos. As pessoas que conheci, as coisas que tinha fazer, todos ótimos, sempre procurando me agradar ao máximo. Eu me sentia em casa e não tive problema nenhum. Não me obrigaram nenhum dia a me levantar cedo, mas sempre levantava cedo para poder ajudá-los no invernadeiro, estava sempre disposto, era algo intrínseco. Acredito que é o ideal do Rotary ajudar o próximo sempre, nunca tinha feito algo tão forte assim. E minha impressão de argentinos foi a melhor possível. Eles amam o Brasil, têm orgulho de mostrarem a identidade, onde ao invés de a nacionalidade estar escrito Argentina está escrito Mercosul, que era algo que me fazia arrepiar, e neste ponto ainda estamos atrasados - seria melhor descobrir o quanto somos iguais. Os amigos que fiz, de todos os lados do mundo, pois tinha outros intercambistas, e a gente sempre junto - todo dia quando abro meu e-mail sempre tem um recado de algum deles, de cada lugar mais estranho possível, de todos os cantos. Não tem como, além de espanhol tem que se virar também em inglês, você é forçado a falar para se locomover, não tem como não aprender um pouco. E aprende a ser mais tolerante, aceitar o diferente, porque alguns dos que conheci eram fechados, mas com o tempo se quebra o gelo e são tão quentes como os brasileiros. E toda a tarde sentar para tomar mate com os amigos e fazendo planos para a noite, e discutir quem é melhor - Pelé ou Maradona, River ou Flamengo - nunca chegávamos às respostas. Mas sempre quando a discussão era a política a integração da América como um todo, isto sempre era unanimidade. Foi uma experiência fantástica, que me ajudou a encontrar principalmente a humildade. O único problema que tive foi que passou muito rápido, hoje tento convencer o meu irmão a fazer um longo, estes dois meses voaram, só lembro de ter me sentado na cama quando cheguei e depois estar chorando no avião por ter de voltar. Mas não tem problema - os meus amigos que fiz lá, tenho certeza que não vou perder, e principalmente o contato com a minha família, quando recebo e-mail deles ou um telefonema e sempre inicia como hijo ou hermano. À volta encontrei minha família toda me esperando no aeroporto como a tempo não a via, até para a família há uma mudança significativa e uma união para receber o melhor possível a pessoal que retorna a casa. Muitos querem mudar o mundo, mas o certo é mudar a si mesmo. Este foi um pouco de minha experiência que vivi, neste intercâmbio curto, que queria que tivesse se prolongado. Todos deveriam ter uma oportunidade desta para valorizar as coisas que possui e aprender a ser tolerantes. Fábio
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